A maioria dos brasileiros não se prepara para essa fase da vida; mas o quanto antes você começar a economizar para sua aposentadoria, melhor!

A reforma da Previdência, há tempos, tem ocupado espaço nos noticiários. Isso porque, de acordo com o Governo Federal, caso não haja uma mudança nas regras de aposentadoria para os próximos anos, a tendência é que o sistema previdenciário público entre em colapso. Por isso, apesar de ser vitalícia e assegurar o trabalhador em caso de invalidez, a previdência pública, atualmente, está cercada de incertezas.

Assim, é importante buscar alternativas para garantir qualidade de vida na aposentadoria. “O Brasil está envelhecendo rapidamente, ou seja, há cada vez mais pessoas aposentadas e menos trabalhadores contribuindo. Diante desse cenário, fazer uma preparação por conta própria para esse momento da sua vida torna-se essencial”, alerta Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Mesmo assim, uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que 78% dos brasileiros não estão se preparando para a hora de se aposentar. Isso significa que cerca de 104,7 milhões de adultos não organizam suas finanças para ter uma aposentadoria sem dificuldades – e sequer pensam em economizar para a aposentadoria!

A pesquisa chegou a conclusão também que o brasileiro que se prepara começa a poupar dinheiro para a aposentadoria, em média, aos 28 anos. E, como a expectativa de vida é alta, a tendência é que os brasileiros passem mais tempo aposentados – e isso demanda um preparo financeiro ainda maior.

“Se você começar a juntar dinheiro desde que entra no mercado de trabalho e, portanto, com muitos anos de trabalho pela frente, você pode juntar um pouco por mês para, ao final, ter a quantia desejada. Mas se deixar o início para muito tarde, a quantia mensal acaba sendo bem maior e fica mais difícil economizar para a aposentadoria”, explica Marcela.

Como funciona a previdência privada?

A previdência privada é um fundo de investimento como outro qualquer – e existem vários tipos de investimentos que compõem esse fundo.

Nos planos de Renda Fixa, o dinheiro fica investido em títulos públicos, que são bastante seguros. Há também os planos de Crédito Privado, em que as aplicações são feitas em empréstimos a grandes empresas. Outra modalidade é a previdência que investe em Multimercados, em que o dinheiro pode ser aplicado em ações. “Essas duas últimas modalidades têm um risco um pouco maior”, alerta Marcela.

Outros pontos que você precisa prestar atenção na hora de contratar o plano é a diferença entre as modalidades PGBL e VGBL. No PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) você pode deduzir do seu imposto de renda todas as contribuições feitas até o limite máximo de 12% da sua renda bruta no ano. Por outro lado, no momento do resgate, o imposto é cobrado sobre o total acumulado. No VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) não há dedução das contribuições, mas no momento do resgate você pagará imposto de renda apenas sobre o rendimento, e não sobre o total.

Além disso, há diferença também nos formatos de tributação: regressiva ou progressiva, cuja melhor escolha vai depender do valor e do tempo de aplicação. Na modalidade regressiva quanto mais tempo você deixa o seu dinheiro, menor o imposto pago, podendo chegar a 10% para aplicações acima de 10 anos. No caso da progressiva, a alíquota é de 15% na fonte, mas você pode compensar o valor dos resgastes na sua Declaração Anual do IR.

Onde aplicar em previdência privada?

Faça uma busca e escolha uma empresa confiável, seja um banco ou uma seguradora independente. É importante ficar de olho nas taxas cobradas. As principais são a taxa de administração e de carregamento, mas podem existir outras dependendo da instituição. Quanto menores as taxas, maior vai ser o retorno líquido do seu investimento.

Quanto economizar para a aposentadoria?

Segundo o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, você precisa conhecer o seu perfil de investidor e definir seu objetivo para a aposentadoria, a idade que quer se aposentar e o quanto quer retirar por mês. “Se a grana está curta agora e não sobra nada, reveja seu estilo de vida e adeque os hábitos de consumo de acordo com a sua real situação financeira”, aconselha.

O valor que você precisa acumular depende de quanto você quer receber por mês na aposentadoria e também depende das projeções de taxa de juros no futuro. Para se ter uma ideia, considerando a taxa de juros atual de 6,5% ao ano e um rendimento médio de 4,88% ao ano para os títulos de renda fixa:

Caso você se aposente aos 60 anos e queira se ganhar R$ 3.000 por mês até o fim de sua vida, terá que juntar cerca de R$ 754.820 na renda fixa ou R$ 807.576 na poupança.

  • Isso significa que, se começar a guardar dinheiro aos 20 anos de idade, precisará separar cerca de R$ 525 por mês na renda fixa ou R$ 609 na poupança;
  • Se essa reserva financeira começar aos 30 anos de idade, os aportes mensais sobem para cerca de R$ 946 (renda fixa) ou R$ 1.072 (poupança);
  • Se for aos 40, R$ 1.886 (renda fixa) ou R$ 2.091 (poupança);

*Lembre-se de que é importante corrigir os valores dos aportes mensais todo ano pela inflação para garantir o poder de compra da sua aposentadoria. Além disso, esse valor ‘total’ acumulado não poderá ser gasto, caso queira manter o rendimento constante ao longo do período.

Fonte: Meu Bolso Feliz

 

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