Presidente do Bancoob fala sobre mercado financeiro e cooperativismo.

O Workshop de Crédito da Sicoob Central Cecresp, realizado no último dia 17 de agosto, na Casa do Cooperativismo Paulista, reuniu cerca de 80 participantes de 41 cooperativas associadas à central para um dia inteiro de palestras, apresentação de cases e debates sobre o mercado financeiro, cenário macroeconômico e gestão de riscos.

De acordo com a responsável pela área de crédito da Cecresp, Camila Piccinim, foi o primeiro evento desse tipo realizado pela Central, que atende a mais de 130 cooperativas associadas. “Nada mais justo falar sobre o crédito, que é o core business das cooperativas, diante desse cenário de instabilidade econômica, de forte concorrência das cinco maiores instituições bancárias e de crescimento do cooperativismo de crédito do País.”

Marco Aurélio Almada ressalta que o mercado de crédito no Brasil tem muitas peculiaridades, por isso alguns bancos internacionais que operam bem o crédito em outros países, desistiram de atuar aqui

A palestra de abertura, Mercado financeiro versus Universo Cooperativista e suas perspectivas, foi realizada pelo diretor-presidente do Bancoob (Banco Cooperativo do Brasil), Marco Aurélio Almada, e abordou os diferenciais do cooperativismo financeiro em relação ao mercado de crédito bancário. Na opinião de Almada, o mercado de crédito no Brasil tem muitas peculiaridades, “tanto que alguns bancos internacionais que operam bem o crédito em outros países, desistiram de atuar no Brasil”.

Veja a seguir os comentários do dirigente sobre os aspectos desse mercado que mais impactam o dia a dia das cooperativas:

Cenário econômico – “Vivemos num País complexo que ainda não consegue administrar a economia de maneira estável. O crédito no Brasil não pode ter muito longo prazo porque os juros compostos explodem o saldo devedor, mas não dá para baixar o spread bancário por decreto. Quem tentou se deu mal.”

Tributação – “O custo tributário influencia bastante na questão. Se cai o custo de captação, é possível reduzir o spread.”

Inadimplência – “Também é necessário reduzir a inadimplência, pois não há segurança jurídica para retomar valores não pagos no Brasil. No ambiente de insegurança jurídica, é natural que a inadimplência aumente.”

Lucro dos bancos – “Não adianta baixar spread, baixar imposto, melhorar condições jurídicas se o banqueiro continuar guloso. É preciso baixar a margem de lucro do banqueiro. Para isso é preciso aumentar a competividade do sistema financeiro.”

Cooperativismo de crédito – “A maior parte das cooperativas de crédito brasileiras têm menos de 30 anos. E as cooperativas têm desafios de toda a ordem: crescer, profissionalizar e tecnificar, sem perder o propósito e a vocação cooperativista. No agregado, o nosso propósito é gerar justiça financeira no País. Para que o propósito gere essa transformação é preciso que ele também gere receita, porque alguém tem que pagar a conta.”

Estratégia – “Nossa fórmula é ter propósito somado a tecnologia e a produtos e serviços. Cooperativa cresce quando ela ocupa lacunas do mercado. Quando o mercado é caro, atende mal ou não tem atendimento, o cooperativismo cresce. Porque não adianta o cooperativismo ser bom para o País se ele não for bom para o associado.”

Fonte: Mundocoop

 

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